Uma mensagem violenta atribuída ao Comando Vermelho (CV) incendiou grupos de WhatsApp e redes sociais no Amazonas nesta segunda-feira (10). Intitulado como “salve”, o comunicado traz ameaças diretas a suspeitos de sequestro e estupro de crianças e mulheres em Manaus. Também é solicitado que moradores repassem informações sobre possíveis criminosos.
A mensagem explodiu em alcance poucas horas antes de a Polícia Civil anunciar a prisão de duas pessoas investigadas pelo desaparecimento da bebê Ayla, de apenas 23 dias. Porém, não há ligação comprovada entre o “salve” e o caso ainda investigado em Manaus.
O tom do comunicado é de justiçamento. O grupo afirma que vai intensificar o “combate” contra abusadores e sequestradores no estado e pede que moradores delatem suspeitos diretamente a integrantes da facção.
A mensagem ganhou força enquanto as forças de segurança ainda varriam a cidade em busca da recém-nascida. Horas mais tarde, o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), anunciou a captura de um casal identificado como Lucas e Jaqueline. Uma terceira mulher, também suspeita, permanece foragida.
Segundo o delegado, os presos fingiram uma falsa solidariedade para se aproximar da mãe da bebê, oferecendo uma suposta doação de fraldas. “Eles desde muito tempo já vinham assediando essa mãe com uma suposta doação de fraldas. Esse foi o que fez ela ir ao encontro deste casal e lá ela ter o seu bebê sequestrado”, detalhou Cunha.
A criança foi encontrada horas depois, abandonada na varanda de uma casa no bairro Santo Agostinho, Zona Oeste de Manaus. Um casal ajudou dando leite, banho e fraldas e acionou a polícia. Posteriormente, a polícia foi acionada e a bebê levada imediatamente para a Maternidade Dr. Moura Tapajóz, onde segue sob cuidados médicos, cercada pela família.
Para além do sequestro que comoveu a capital, o conteúdo do “salve” também acende um alerta sobre a escalada de violência sexual contra crianças e adolescentes no Amazonas. A mensagem, no entanto, não cita nenhum dado oficial.







