A manhã desta terça-feira (12) foi marcada por um princípio de motim na Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus. Os cerca de 70 policiais militares custodiados no local se recusaram a embarcar nos veículos que os levariam para o novo presídio construído no quilômetro 8 da BR-174, nas imediações do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
MP desativa presídio militar após fuga de PMs e transfere 70 custodiados para nova unidade no AM
De acordo com o advogado Henrique Vasconcelos, que representa parte dos detentos, a insubordinação coletiva foi motivada por dois fatores principais: o temor pela própria integridade física e a completa falta de comunicação oficial sobre a transferência.
A defesa alega que os militares foram pegos de surpresa, pois nem mesmo os advogados foram notificados previamente. O principal argumento dos presos é o risco iminente que correriam ao serem alocados próximo a detentos comuns. “Um policial militar não pode ser preso junto com presos comuns. Até pode acontecer, mas a maioria dos policiais que ali estão foi responsável pela prisão de muitos dos detentos que estão no complexo”, explicou Vasconcelos.
Além do perigo de represálias, os custodiados condicionam a saída à apresentação de documentos oficiais que formalizem a operação. Segundo o advogado, até o momento nenhum papel foi exibido, o que gerou um ambiente de desconfiança e o medo de uma nova arbitrariedade.
Diante do impasse, os militares escolheram o ex-cabo da PM e atual presidente da Associação de Praças dos Policiais e Forças Militares do Amazonas, Gutemberg Silva, para atuar como uma espécie de “negociador” e porta-voz do grupo, acompanhando o desenrolar das negociações .
O temor de uma nova “emboscada” jurídica foi reforçado pelo histórico recente da unidade, hoje desativada. “O problema é que não há qualquer documento apresentado. Os presos estão totalmente encurralados. Vou explicar: em fevereiro houve uma operação que levou 17 presos para o Comando Geral, e eles foram declarados procurados. Agora, os detentos têm medo de novamente haver uma arbitrariedade do Estado contra eles”, enfatizou o advogado.
Fuga em fevereiro motivou desativação
A transferência faz parte da Operação Sentinela Maior, deflagrada pelo Ministério Público em parceria com a SEAP, após a constatação de problemas estruturais no antigo Núcleo Prisional. Em fevereiro, 23 policiais fugiram do local, evidenciando a fragilidade da segurança.
Enquanto o Grupo de Atuação Especial de Execução Penal não se manifesta oficialmente, o clima permanece tenso.




