A forte polarização na corrida pela Presidência da República nas Eleições 2026 tem gerado desdobramentos inesperados nos bastidores de importantes igrejas do país. Um caso que ganhou destaque na Paraíba expôs divergências políticas dentro de uma mesma família com longa tradição religiosa: o pastor Isaac Venerando anunciou publicamente seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indo na contramão da posição alinhada ao bolsonarismo defendida por seu pai, o pastor José Carlos de Lima, líder histórico das Assembleias de Deus no estado.
Em um vídeo gravado no comitê central da campanha petista, Isaac Venerando explicou sua escolha eleitoral citando obras de infraestrutura e programas sociais realizados nos governos do atual presidente, em oposição ao tom conservador que predomina entre boa parte das lideranças protestantes da região.
“Estou aqui no Comitê Central do presidente Lula, presidente da República, onde eu vim para prestar apoio e dizer que estou junto com a militância que trabalha por quem está a favor do Brasil. Lula, o maior estadista de todos os tempos. O cara que construiu muitas estradas, muitas hidrelétricas, reformou aeroportos e portos do nosso Brasil, que fez o maior complexo de casas populares e também de apartamentos […] É Lula quem faz. É Lula quem vai continuar fazendo”, afirmou o religioso durante o ato.
O pastor também fez questão de reafirmar sua independência de pensamento diante das pressões do meio religioso: “Eu sou pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, mas eu não sou gado. Eu tenho sangue de trabalhador. E é por isto que eu estou com Lula. Lula para presidente”.
A declaração pública de Isaac Venerando cria um contraste forte nos bastidores religiosos e políticos do estado, já que seu pai, o pastor José Carlos de Lima, figura de grande influência à frente da Assembleia de Deus na Paraíba, tem histórico de alinhamento com o campo conservador e com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
O confronto público evidencia a diversidade de posições políticas entre fiéis e pastores de diferentes igrejas evangélicas no Brasil, contrariando a ideia de que o segmento teria uma visão ideológica única às vésperas da definição do segundo turno.






