Candidata escolhida pelo bolsonarismo para concorrer ao Governo do Amazonas pelo PL, a empresária Maria do Carmo Seffair tem um longo histórico de laços com políticos que estão há décadas no poder, inclusive nomes ligados à esquerda lulista, enquanto tenta sustentar uma candidatura que se posiciona contra ao que ela chama de “velha política”.
SOBRENOME LEVA CANDIDATA AO PALANQUE DE LULA
Enquanto sobe ao palanque evocando o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, Maria do Carmo deixa “escondido” o sobrenome do marido que a coloca no palanque lulista. Casada com o empresário Wellington Lins, Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque convive na intimidade com alados do presidente petista.
O mais chegado a Lula é o cunhado dela, o deputado Átila Lins, aliado do senador Omar Aziz (PSD), o “candidato do Lula” no Amazonas.

Maria do Carmo e Rita de Cassia Cunha e Silva Lins de Albuquerque, esposa de Átila Lins, são sócias no Centro Universitário Fametro, o império comandado por Wellington Lins.
CANDIDATURA COM A VELHA POLÍTICA
Em 2022, Maria do Carmo deu provas de que estar contra a “velha política” é uma narrativa que não se sustenta. Em busca de cargo, ela se lançou suplente de Arthur Neto, então no PSDB, enquanto tentava uma vaga de vice na chapa do ex-governador Amazonino Mendes.
A suplência no Senado não veio, mas o apoio aos velhos nomes da política não acabou.

Quatro anos depois, Maria do Carmo continua aliada aos veteranos, hoje chancelada por Waldemar Costa Neto, presidente nacional do PL que foi preso no mensalão do PT, partido comandado por Alfredo Nascimento, ex-ministro de Lula e Dilma, todos veteraníssimos na política brasileira.

DENÚNCIA DE DESVIO DE VERBAS
Outro pilar da campanha de Maria do Carmo sofre rachaduras por conta da ligação dela com a “velha política” está dentro de casa. O marido da empresária foi manchete nacional nos anos 90, acusado de desviar verba públicas e, mesmo assim, acabar nomeado diretor do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), indicado pelo próprio deputado Átila Lins,
A matéria de 20 de outubro de 1997 mostra um empresário com empresa “em estado pré-falimentar”, processos criminais e verbas públicas da Suframa desviadas para obras “absurdas”.
Veja dois trechos da denúncia da Folha:
“A Planecom é apontada por relatórios do Ministério do Planejamento como uma das empresas favorecidas com verbas da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) antes da reformulação da distribuição desse dinheiro, ocorrida no ano passado. Em 1995, a Planecom realizou uma das obras consideradas “absurdas” pelo Ministério do Planejamento com verba da Suframa. A empresa recebeu R$ 9,6 milhões para fazer um calçadão no Distrito Industrial de Manaus (AM). Em 1996, a empresa resolveu processar a Suframa para ganhar mais R$ 2,8 milhões pelo serviço -que alegava ser uma diferença a ser paga pelo órgão federal”.

“Wellington Lins também enfrenta um processo na 4ª Vara Criminal da Justiça do Amazonas.
Na ação, que recebeu o número 01196028459/96, o Ministério Público do Amazonas acusa o empresário de ter cometido estelionato na transação para contratações quando era presidente do Instituto de Previdência do Estado”, diz a matéria.
BENEFICIADA PELO PT DE LULA
Outra contradição sobre a mesa de Maria do Carmo é o crescimento da Fametro, instituição privada alavancada por verba pública dos programas do PT de Lula.
A Fametro é hoje a maior instituição do Amazonas em contratos ativos do FIES, com 740 vínculos — mais do que qualquer outra faculdade do estado. Soma ainda 48 bolsas do PROUNI (32 integrais e 16 parciais). São programas federais de educação que injetam milhões na conta da empresa familiar.
O “sucesso” que Maria usa como trampolim para dizer que vai implementar o modo de gestão privada no serviço público é, na verdade, um grande negócio nutrido por verba de programas do PT. Ainda assim, este ano, a Fametro acabou levando a pior nota do Brasil no Curso de Medicina avaliado pelo MEC, provando que o modo de gestão alegado pela candidata não se sustenta.

PATRIMÔNIO SOBE, MAS PROMESSAS FICAM NO PAPEL
Tão forte quanto a reprovação no MEC é o patrimônio de R$ 118 milhões. Em 2022, Maria do Carmo declarava ao TSE um patrimônio de R$ 14,7 milhões. Em 2026, o número saltou para R$ 118,47 milhões — um crescimento de 702% em apenas quatro anos. É a candidata mais rica do Amazonas e a segunda mais rica do Brasil entre os postulantes a governador. Enquanto isso, as obras que prometeu ao povo manauara viraram poeira.

Santa Casa e o Tropical Hotel, anunciado como “mais um exemplo de sucesso”, estão só na promessa. A Fametro arrematou a Santa Casa de Misericórdia de Manaus em novembro de 2019 por R$ 9,3 milhões. Na ocasião, prometeu entregar o hospital universitário até o fim de 2020.
Em 2019, Wellington Lins mudou o prazo para 2022. Também não entregou. Em agosto de 2025, em entrevista ao portal Em Tempo, Maria do Carmo estabeleceu uma nova data: 2027.
O Hotel Tropical, arrematado pelo grupo em 2020 com promessa de investimento de R$ 250 milhões e inauguração no réveillon de 2024, segue sem data certa de entrega, deixando no ar muitas perguntas sobre a contradição entre discurso e prática.






