O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), coordenador do plano de governo de Renan Santos (Missão), à Presidência da República, confirmou que a campanha do candidato prevê o fim da Zona Franca de Manaus (ZFM). Em entrevista ao C-Level, da Folha de S.Paulo, Kataguiri afirmou que a proposta do grupo inclui mudanças drásticas na estrutura administrativa do país, como a extinção da Justiça do Trabalho, o encerramento do modelo econômico amazonense e a reformulação das emendas parlamentares.
O deputado classificou o incentivo fiscal concedido ao Polo Industrial de Manaus (PIM) como “absolutamente ineficiente” e defendeu que o modelo seja extinto. Segundo ele, a Zona Franca não cumpriu o que prometia.
“A Zona Franca foi feita para ser temporária e é absolutamente ineficiente: não gerou os empregos esperados e não gerou a receita esperada. Ela é tão cara que seria mais barato pagar para o cidadão não trabalhar do que conceder o privilégio tributário que é dado hoje”, declarou.
Críticas à localização e à lógica do modelo
Na entrevista, Kataguiri detalhou por que considera o modelo equivocado. Ele argumentou que a produção em Manaus está distante tanto dos insumos quanto do mercado consumidor, o que gera custos logísticos elevados e produtos mais caros no final.
“A política mal-sucedida é a Zona Franca em que eu produzo um produto em que os insumos estão longe das fábricas (…) Então está longe do insumo, está longe do mercado consumidor, tem infraestrutura precária. A gente basicamente está pagando para ter ineficiência, para produzir um produto que vai ficar mais caro no final, quando ele poderia estar mais perto do mercado consumidor”, afirmou.
O deputado também foi questionado sobre se o fim da Zona Franca seria imediato ou gradual. Ele respondeu que haverá transição, mas reafirmou a intenção de substituir o modelo.
“A ideia da transição é justamente para ter a substituição hoje de um subsídio à ineficiência, ou seja, a gente substituir um modelo em que hoje eu pego dinheiro do pagador de impostos, principalmente do pagador de imposto mais pobre que paga esse imposto sobre o consumo, e utilizar para gerar um produto mais caro e menos competitivo do que aqueles produzidos em outras regiões. O que a gente está falando é de substituir este modelo gradualmente com um plano de transição para essas empresas, para daí nós transformarmos Manaus num polo tecnológico de ciência e tecnologia, principalmente de biotecnologia e de biomedicina”, concluiu.
Renan Santos já havia sinalizado corte na ZFM
As declarações de Kataguiri não são isoladas. Durante entrevista à CNN Eleições, exibida no início de setembro, o próprio Renan Santos afirmou que pretende promover um corte de R$ 250 bilhões nas despesas do governo federal e indicou que parte do ajuste passaria pela redução de benefícios fiscais. Na ocasião, ele citou diretamente a Zona Franca de Manaus como alvo.
“As federais, o governo vai precisar mexer, a começar pela Zona Franca de Manaus”, declarou o candidato.
Renan também citou a Honda, uma das principais empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus, e afirmou que a fabricante teria R$ 16 bilhões em renúncia fiscal.
“Só uma empresa chamada Honda, na Zona Franca de Manaus, tem 16 bilhões de reais em renúncia fiscal. Isso é um absurdo. Isso cruza qualquer limite”, disse.
O candidato ainda questionou a lógica de se produzir motocicletas em Manaus, defendendo que esse tipo de indústria deveria estar mais próxima dos principais mercados consumidores do país.
“Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante”, afirmou.
As declarações geraram reação negativa entre gestores e políticos do Amazonas, que temem o impacto econômico e social do fim do modelo. A Zona Franca de Manaus é responsável por parte significativa dos empregos e da arrecadação do estado, e sua extinção é historicamente tratada como tema sensível na região.






