Em entrevista, Amazonino diz que casa de R$ 1 é ‘humilde’, deixa perguntas sem respostas e nega escândalos

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O candidato ao governo do Amazonas, Amazonino Mendes (Cidadania), foi entrevistado ao vivo no Jornal do Amazonas 1ª edição, na Rede Amazônica, nesta terça-feira (13). Ao contrário dos outros compromissos que o ex-governador vinha não comparecendo, nesse ele resolveu passar pela sabatina dos jornalistas Lane Gusmão e Fábio Melo.

A emissora realiza a entrevista com os cinco candidatos ao governo do Estado mais bem colocados na pesquisa do Ipec, divulgada no dia 24 de agosto. No entanto, a participação de “Negão” gerou momentos constrangedores, que podem prejudicar sua posição nas pesquisas. A casa “humilde” de R$ 1 real e o desconhecimento em responder certas perguntas foram evidentes.

Questionado por Fábio Melo sobre o motivo de querer ser governador mais uma vez, mesmo com a idade avançada, após 40 anos de vida pública, Amazonino disse que tem um “formigueiro” dentro de si que o impede de ficar em paz. “É um descalabro o que estão fazendo nesse atual governo. Um absurdo o que está acontecendo no Amazonas”, disse ele, sempre falando devagar e aparentando, mais uma vez, cansaço.

A entrevista seguiu em ritmo lento o tempo todo, com Amazonino falando e apresentando poucas propostas. Em 25 minutos de duração, os jornalistas tiveram que interromper vários momentos porque o candidato “travava” e demorava para dar as respostas.

Lane Gusmão perguntou sobre a logística de viagens ao interior e como o governador faria. Segundo Amazonino, hoje, por causa da tecnologia, é mais fácil estar “presente”, mesmo que não fisicamente. No entanto, não soube responder justamente como o interior do estado pode ter mais acesso à comunicação, via internet.

“Bom, a forma técnica, não me compete. Não tenho conhecimento tecnológico. Eu abriria as condições administrativas e econômicas para se fazer isso. Isso é o dever do governador”, disse ele, de forma rasa.

Outro ponto que chamou atenção foi quando Fábio Melo questionou a declaração de bens de Mendes ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde ele declarou bens no valor de R$ 4 milhões, sendo uma casa em Arraial do Cabo (RJ) que custaria R$ 1.

“Um real? Deve haver um equívoco. Eu realmente tenho uma casa em Arraial do Cabo, muito humilde”, diz ele, que rapidamente é interrompido pelo jornalista que diz que a área é um local “badalado”. Os valores dos imóveis custam, em média, R$ 200 mil.

“Isso aí deve ter alguma razão básica que meu contador deve ter feito essa declaração. Porque eu mesmo não faria. Como eu seria tão idiota de declarar… Nem um sapato custa R$ 1 real”, disse o ex-governador, desconcertado, dizendo ainda que ia “rever” a declaração.

O candidato também evitou falar sobre o escândalo com empresa responsável pela instalação de radares na cidade, em 2009, quando prefeito. À época, a juíza Andrea Jane Silva de Medeiros determinou o bloqueio de bens da empresa e outras 11 pessoas, entre elas, Mendes. O Ministério Público denunciou supostas irregularidades em licitações.

“Eu não tenho nada a ver com isso, eu não sei nem o que é isso. Isso é assunto que o secretário da época ele deve ter as suas alegações. Eu, pessoalmente, ao que tive conhecimento até então, nada de grave. Que eu saiba, pelo menos”, disse ele, negando ainda a suspeita de superfaturamento.

Nas considerações finais, o candidato agradeceu a participação. “O Amazonas tem solução, mas com governo. Sem governo, não tem solução (…) Eu tenho uma história, e essa história, acredito, tem que ser respeitada, olhada, e é um exemplo!”, finalizou o ex-governador, de novo se prevalecendo dos muitos mandatos, mesmo que lembrados por escândalos.

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