Enquanto os amazonenses reclamam nas redes sociais do aumento nas contas de energia, o senador Eduardo Braga (MDB) declarou no TSE que as empresas dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista podem dar bastante lucro, se você tiver, como no caso dele, “bala na agulha” e uma boa rede de relacionamentos.
Os irmãos foram presos na Lava Jato, e chegaram a dizer na Justiça que pagaram propina ao MDB de Braga.
Ele mesmo comprou 9.800 ações da JBSS32 e JBS N.V., avaliadas em R$ 749.980,77, em meio à denúncias de uso do mandato para manejar o setor de energia.
A JBS faz parte do conglomerado J&F, onde está também a Âmbar Energia, empresa que comprou a Amazonas Energia, e que hoje é denunciada por reajustes nas contas dos consumidores em todo o Amazonas.
Veja a declaração de compra das ações do senador no TSE:

Nos últimos anos a ligação de Braga com o setor energético causou controvérsia. O senador é acusado por adversários políticos de usar influência política e para aumentar a conta dos amazonenses.
Na gestão de Braga como Ministro de Minas e Energia de Dilma Roouseff (PT, foram criadas as bandeiras tarifárias, ponto de partida para os reajustes ligados à produção de energia elétrica atrelada às chuvas.
Em outro episódio, relacionado à Medida Provisória 1.304/2025, Braga atuou como relator da proposta que tratava de uma reorganização do setor elétrico, introduzindo um “jabuti”, ou seja, um penduricalho que beneficiou as empresas produtoras de energia gerada por carvão.
Uma dessas empresas é a Candiota 3, que também pertence ao grupo J&F, onde estão as ações de Braga que valem mais de R$ 750 mil.
Coincidentemente, o governo do presidente Lula (PT) preparou um contrato de 15 anos para comprar energia a carvão do grupo J&F, por um valor 50,2% acima da média observada em leilões que utilizam o mesmo combustível. A informação foi publicada pela Folha de SP.

Lula, que está apoiando Braga na reeleição, e mandou até tirar Marcelo Ramos da disputa para não dividir os votos do senador.

O acordo prevê um preço de venda anual de R$ 859,7 milhões até 2040, o equivalente a mais de R$ 12 bilhões em valor presente. A energia será gerada pela usina de Candiota, no Rio Grande do Sul, de propriedade da Âmbar, subsidiária da J&F.
Braga já negou em inúmeras oportunidades que tenha agido para aumentar contas e chegou a defender que seus atos iriam reduzir valores, o que, até aqui, não se comprovou na prática. Já em maio, a conta de energia elétrica ficou 3,79% mais cara, com aprovação da Aneel, e já beneficiando a Âmbar Energia.
Para os consumidores residenciais da categoria B1, como casas, apartamentos e condomínios, o reajuste foi de 3,77%. Já para os clientes de média e alta tensão, como indústrias, hospitais, shoppings e grandes estabelecimentos comerciais, o aumento foi de de 13,24%. Considerando todas as categorias, o reajuste médio no estado ficou em 6,58%.
DEFENSORIA APURA DENÚNCIAS
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) protocolou na última sexta-feira (7), um ofício à concessionária Âmbar Energia solicitando informações sobre o aumento expressivo nas faturas de energia elétrica registrado por consumidores amazonenses. A instituição estabeleceu o prazo de 48 horas para que a empresa apresente resposta.
O documento, encaminhado pela Defensoria Pública Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), destaca que o Código de Defesa do Consumidor proíbe a elevação de preços de produtos e serviços sem justificativa plausível.
O titular da DPEIC, defensor público Carlos Almeida Filho, explica que a Defensoria passou a apurar o caso após identificar um aumento significativo de reclamações de consumidores atendidos pela instituição, além de reportagens divulgadas pela imprensa.
“Essa é uma medida preliminar de apuração dos fatos, porque temos indícios de que pode haver uma irregularidade. No entanto, precisamos solicitar mais informações para compreender o quadro geral”, afirmou.

No ofício, a Defensoria também ressalta que a prestação de serviços públicos por meio de concessão deve observar o princípio da modicidade tarifária, ou seja, as tarifas cobradas precisam ser razoáveis e compatíveis com o serviço prestado.
A instituição destaca, ainda, que o aumento inesperado das faturas pode provocar inadimplência entre consumidores, sobretudo aqueles em situação de vulnerabilidade econômica, aumentando o risco de suspensão do fornecimento de energia elétrica, serviço considerado essencial.
O defensor acrescenta que é dever da Defensoria Pública adotar medidas para proteger direitos que possam estar sendo violados e que novas providências poderão ser tomadas, conforme as justificativas apresentadas pela concessionária.
“Assim que recebermos a resposta da empresa, poderemos adotar outras medidas para evitar que a população seja prejudicada por cobranças indevidas”, concluiu.
Até agora, Braga não contestou a Âmbar sobre os reajustes.






