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Biomédica e dentista deixaram clít0ris de paciente ‘dilacerad0’ em cirurgia íntima em Manaus

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Uma cirurgiã-dentista e uma biomédica foram presas na última quarta-feira (22) e tiveram os registros profissionais suspensos pela Justiça, suspeitas de realizarem cirurgias íntimas invasivas de forma irregular em Manaus. O alvo da investigação são as unidades da rede EstetiClin, que funcionavam no Adrianópolis e uma unidade na Zona Leste, onde procedimentos como ninfoplastias eram executados sem equipe médica, em salas inadequadas e com anúncios enganosos que prometiam intervenções “sem cortes”.

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A operação que levou à prisão das duas mulheres foi motivada pela denúncia de uma paciente que sofreu complicações gravíssimas e carrega agora uma sequela irreversível: a perda total da sensibilidade no clitóris. A vítima relatou um pós-operatório com febre, vômitos, confusão mental e total desamparo por parte da clínica, que a ignorou quando ela mais precisava de socorro. Acabou atendida de emergência no Hospital da Mulher, onde uma ginecologista constatou que a região operada estava “dilacerada”.

As investigações da Polícia Civil do Amazonas duraram quatro meses e revelaram um modus operandi que mesclava charlatanismo e perigo real. Os procedimentos invasivos, que incluíam o uso de laser de CO₂ para incisões nos tecidos, eram anunciados como estéticos, numa tentativa de driblar a exigência legal de equipe cirúrgica habilitada.

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) informou que intervenções desse porte são atos médicos privativos. Realizá-los sem formação e estrutura adequadas expõe o paciente a deformidades permanentes, infecções generalizadas e até a morte.

Durante a ação policial, equipamentos, medicamentos e documentos foram apreendidos nas duas unidades da rede EstetiClin. A Justiça determinou ainda a suspensão imediata de qualquer propaganda ou atividade profissional das envolvidas enquanto as investigações prosseguem. A polícia apura se as suspeitas também realizavam ilegalmente outros procedimentos privativos de médicos, como rinoplastias.

Procurada, a rede informou que suspendeu as atividades temporariamente para “fiscalização” e afirma colaborar com as autoridades. Garantiu que pacientes não terão prejuízo financeiro, mas, na prática, as clínicas permanecem fechadas e sem canais de comunicação para remarcações.

 

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