A decisão do governo federal de proibir as casas de apostas no Brasil pode representar um prejuízo de aproximadamente R$ 400 milhões ao Flamengo. O alerta foi feito pelo presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, durante participação na Flamengo TV na noite de segunda-feira (28).
Segundo o dirigente, a medida compromete o planejamento da próxima temporada e coloca em risco compromissos financeiros já assumidos, como a contratação de Paquetá.
“Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante para o Flamengo. Tudo que o Flamengo faz é dentro da lei. Mas essa medida compromete as receitas no futuro. Afeta a folha do futebol, as contratações que nós fizemos. Afeta os esportes olímpicos, renúncia fiscal”, afirmou.
Bap também demonstrou preocupação com a segurança jurídica dos contratos e cobrou uma revisão da decisão pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Congresso Nacional.
“Espero sinceramente que, a partir da semana que vem, isso seja revisitado, ou pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Congresso Nacional, que têm todas as ferramentas e as possibilidades de rejeitar essa Medida Provisória”, declarou.
O presidente rubro-negro classificou a suspensão como um “banimento unilateral” e defendeu que a regulação do setor precisa de ajustes graduais, não de medidas abruptas.
“Nós vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados. Nós não temos condições, hoje, de honrar os compromissos que nós assumimos baseados em contratos legais. Eu não tenho condição. Vamos buscar alternativas, novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais”.
O dirigente ainda projetou um cenário negativo para o futebol nacional e disse que a medida não resolverá o endividamento dos brasileiros.
“Vai haver um enfraquecimento ainda maior no futebol brasileiro e um fortalecimento do futebol argentino. Você não vai reduzir o endividamento do brasileiro médio com essa decisão. Tenha certeza absoluta disso”.
Entenda a medida
O anúncio foi feito pelo Governo Federal na última sexta-feira (25), em evento com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros.
Pela decisão, as bets devem devolver valores em conta para apostadores até as 23h59 do dia 5 de outubro. A partir do dia 6 de outubro, sites e aplicativos das plataformas saem do ar e a operação de casas de apostas passa a ser proibida. Novos aportes financeiros já ficaram vedados desde a publicação da Medida Provisória, na sexta-feira.
Lula também assinou um Projeto de Lei que será enviado ao Congresso Nacional para definir conceitos e tipificar crimes relativos a apostas de cota fixa. Um programa de renegociação de dívidas para famílias endividadas pelo vício em apostas online também foi anunciado, mas não será restrito a esse público.






