Publicidade

‘Vieram pra matar’, diz mãe durante velório de jovem m0rt0 por PM em abordagem no Alvorada

Facebook
Twitter
WhatsApp

Sob uma atmosfera carregada de luto e inconformismo, amigos e parentes se reuniram na manhã desta segunda-feira (20) para prestar as últimas homenagens a Carlos André de Almeida Cardoso, de apenas 19 anos. O velório transcorre no Instituto Graças, situado na rua 1 do bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus, mesma região onde o rapaz teve a trajetória interrompida de maneira trágica na madrugada do último domingo (19), após ser baleado no tórax durante uma ação da Polícia Militar.

ADVERTISEMENT

Carlos André era descrito como um rapaz de índole pacata e trabalhadora, cuja vida orbitava em torno de duas grandes devoções: o universo das duas rodas e a paixão rubro-negra pelo Flamengo. Deixa órfão o pequeno Théo, um bebê de apenas 1 ano de idade.

O padrasto da vítima, Fábio Santos, sintetizou a ironia cruel do destino. “Ele amava motos, amava mesmo. Tanto que foi morto em cima de uma”, desabafou. Além de mecânico amador por hobby, o jovem também cultivava o gosto pelas peladas de futebol com os companheiros de rua nas horas vagas.

O acidente

O sentimento de revolta que permeia a despedida é intensificado por uma sucessão de incongruências na versão apresentada inicialmente pelos agentes envolvidos na ocorrência. Logo após o fato, os militares comunicaram à genitora de Carlos André que o filho teria sido vítima de uma queda da motocicleta, a qual teria resultado em uma fatal fratura cervical.

Tal alegação, contudo, ruiu por terra diante da perícia técnica e do registro implacável das câmeras de segurança. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) foi taxativo: a morte decorreu de um projétil de arma de fogo que perfurou a cavidade torácica e atingiu o pulmão. As imagens do circuito de vigilância, por sua vez, mostram uma cena de execução.

A gravação exibe o instante em que o motociclista perde o controle e derrapa no asfalto. Logo em seguida, ainda que atordoado, ele ergue os braços em inequívoco gesto de submissão. Ainda assim, é atingido por um disparo praticamente encostado e, já no chão, recebe golpes de botina.

Outro agravante que salta aos olhos dos investigadores diz respeito ao armamento utilizado. A pistola Taurus G3 9mm, acionada pelo sargento Wellington Belmiro, não integrava o lote de armas institucionais da corporação. Tratava-se de um equipamento de posse particular, embora o militar estivesse devidamente escalado para o serviço operacional naquele horário.

Durante as homenagens fúnebres, os familiares ecoaram o clamo: o pedido para que o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) assuma a fiscalização direta e rigorosa do inquérito conduzido pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). “Vieram pra matar”, bradou a mãe da vítima, em prantos.

O sargento Wellington Belmiro teve a prisão decretada e já se encontra recolhido ao Núcleo Prisional da Polícia Militar. O sepultamento de Carlos André está programado para as 11h desta segunda-feira.

 

Leia Também

Verified by MonsterInsights