Na manhã desta sexta-feira (27), o policial militar reformado Francisco Max dos Reis, de 51 anos, e um amigo ainda não identificado foram executados com disparos de fuzil e pistola dentro de uma propriedade particular na rua Floresta, no bairro Tarumã, Zona Oeste. O duplo homicídio ocorre exatamente 24 horas após a prisão de seis policiais militares da ativa flagrados com três toneladas de drogas na mesma região, levantando imediatamente a suspeita de ligação entre os casos.
De acordo com informações preliminares colhidas no local, Francisco foi encontrado sem vida no interior de uma casa, enquanto o amigo estava morto dentro de um carro modelo Ford Ka estacionado nas dependências do imóvel. A violência do crime chocou: os corpos apresentavam múltiplas perfurações, indicando que as vítimas foram alvejadas por disparos de fuzil, arma de uso restrito das forças de segurança e do crime organizado.
Emboscada ou execução?
Familiares que estiveram no local acreditam que as vítimas tenham sido alvo de uma emboscada. A dinâmica do crime sugere que os atiradores chegaram ao imóvel já com a intenção de matar, possivelmente surpreendendo o PM reformado e seu acompanhante. Até o momento, não há informações sobre testemunhas ou sobre a dinâmica exata da ação criminosa.
A área foi imediatamente isolada por equipes da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). Os corpos foram removidos ao Instituto Médico Legal (IML), onde passarão por exames que devem confirmar a quantidade exata de disparos e o calibre das armas utilizadas.
O duplo homicídio não pode ser dissociado do cenário de tensão que se instalou no Tarumã desde a tarde de quinta-feira (26). Na ocasião, uma operação das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) resultou na prisão em flagrante de seis policiais militares, entre cabos e sargentos, flagrados utilizando viaturas oficiais da corporação para transportar entorpecentes até um flutuante na região.
A ação teve início após denúncias anônimas recebidas pela Rocam sobre o esquema criminoso. Ao chegar ao porto na rua Rio Amazonas, os agentes se depararam com colegas de farda desembarcando uma carga avaliada em R$ 53,3 milhões. Foram apreendidos 2.766 quilos de drogas, além de dois carros, 12 celulares, seis pistolas e um fuzil.
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) assumirá as investigações do duplo homicídio e deverá apurar se há relação entre a execução do PM reformado e a megaoperação que prendeu os seis policiais na véspera.




