Menos de dois meses após deixar a prisão, o vereador Rosinaldo Bual (Agir) reassumiu formalmente suas atividades na Câmara Municipal de Manaus (CMM), ainda que apenas no sistema. O parlamentar, preso em outubro do ano passado sob suspeita de liderar um esquema de desvio de salários de assessores, no esquema “rachadinha”, voltou a ter seu nome registrado no painel eletrônico da Casa desde a última segunda-feira (9). As atas oficiais confirmam sua presença nas sessões dos dias 9, 10 e 11 de fevereiro. O que os registros não mostram, porém, é sua participação nos debates.
De acordo com servidores Bual, que está usando tornozeleira eletrônica, não comparece presencialmente nem acompanha os trabalhos de forma remota, embora o sistema indique o contrário. O movimento ocorre após o fim do afastamento cautelar de 120 dias, imposto pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) logo após sua prisão, em outubro.
A Câmara Municipal informou, por meio de nota, que o registro remoto de presença é um recurso mantido desde a pandemia de Covid-19 e que o modelo híbrido de trabalho ainda está em fase de regulamentação. A proposta chegou a ser aprovada em primeira discussão em 2025, mas segue sem normativa definitiva. Parlamentares podem, atualmente, registrar presença por meio de um aplicativo com reconhecimento facial, o que formaliza a participação mesmo à distância.
Preso em 3 de outubro de 2025 na Operação Face Oculta, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Bual é investigado por peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Na ocasião, foram apreendidos R$ 890 mil em espécie e cheques, além do bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões.
A investigação aponta que, entre 40 e 50 servidores comissionados lotados em seu gabinete eram obrigados a devolver parte dos salários ao vereador, por meio de intermediários, prática conhecida como “rachadinha”. Também foram recolhidos cofres, joias e uma arma de fogo, que gerou flagrante por posse irregular.
Bual ficou preso preventivamente por dois meses. Em 15 de dezembro, o TJAM concedeu liberdade ao parlamentar, mas impôs uma série de medidas cautelares: uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, proibição de contato com investigados e testemunhas e manutenção do afastamento da Câmara Municipal. Durante todo o período em que esteve impedido de exercer o mandato presencialmente, o salário do vereador, de mais de R$ 26 mil mensais seguiu sendo pago.




