O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) deflagrou na manhã desta sexta-feira (13) a operação Simulacrum, que resultou na prisão preventiva de 11 policiais militares investigados pela morte de João Paulo Maciel dos Santos, de 19 anos. O caso ocorreu em outubro de 2025, no bairro Vila da Prata, Zona Oeste de Manaus, e ganhou repercussão após imagens da ação policial virem a público.
Ao todo, 19 agentes da Polícia Militar são alvos da investigação conduzida pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp). Os mandados judiciais foram expedidos pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Prisões e buscas
Entre os presos preventivamente estão os policiais Fernanda Braga de Oliveira, Luilson Marlon Valentim, Rudicimar Cunha Cativo, Tiago Salim de Lima, Jean Thiago Correia Negreiros, Alain José Campos da Silva Junior, Humberto Gondin Barbosa Neto Passos, Marcel Alves de Paiva, Wilkens Diego Feitosa da Silva, Denis Ferreira de Souza e Gelson Zanelato Filho.
Além das prisões, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão contra outros investigados. Entre os alvos das buscas estão nomes como Tiago Pereira de Oliveira, Silvano dos Santos de Lima, Ronildo Farias de Sousa Filho, André Matos de Brito, Roniery Cruz Gonçalves, Jurandir Sena da Silva Junior, Gean Gurgel Leal e França de Jesus Gurgel Leitão, entre outros.
O crime e a repercussão
João Paulo Maciel foi morto no dia 28 de outubro de 2025, durante uma intervenção de policiais militares no beco Arthur Virgílio, no bairro Vila da Prata. A versão apresentada pela corporação à época foi de que o jovem teria reagido a uma abordagem. No entanto, a família contesta essa narrativa e afirma que ele não tinha envolvimento com atividades criminosas e foi executado sem chance de defesa.
A divulgação de imagens registradas no momento da ocorrência, que circularam amplamente nas redes sociais, foi determinante para que o caso ganhasse contornos de comoção pública e acirrasse o debate sobre violência policial.
De acordo com o MP-AM, as investigações apontaram indícios de que, após a morte do jovem, os policiais envolvidos teriam simulado uma tentativa de socorro e alterado a cena do crime. Esses elementos embasam, contra parte dos agentes, a acusação de fraude processual.
O nome da operação faz referência justamente à suspeita de que os policiais tenham forjado circunstâncias para dar aparência de legalidade à ação.
O processo segue em tramitação na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. A Polícia Militar do Amazonas ainda não se manifestou oficialmente sobre as prisões.




