Um grupo de WhatsApp dedicado à compra e venda de produtos em Eirunepé, município distante mais de 1.160 quilômetros de Manaus, foi palco de uma negociação incomum nesta semana. Uma moradora publicou anúncio oferecendo um macaco-prego como forma de complementar a renda familiar.
Na mensagem, a mulher justificava a comercialização do primata pela necessidade de quitar despesas domésticas. O tom natural com que a oferta foi apresentada chamou atenção dos participantes do grupo, que costuma reunir anúncios de móveis usados e alimentos.
O comércio irregular de fauna silvestre é tipificado como crime pela Lei nº 9.605/1998. A chamada Lei de Crimes Ambientais estabelece pena de detenção de seis meses a um ano para quem comercializa, transporta ou mantém animais silvestres em cativeiro sem autorização.
Além da reclusão, os infratores estão sujeitos a multas que podem oscilar entre R$ 500 e R$ 5 mil por indivíduo, valor que aumenta significativamente se a espécie comercializada constar em listas oficiais de ameaça de extinção.
Esta não é a primeira vez que moradores da calha do Rio Juruá recorrem a anúncios digitais para comercializar fauna silvestre. Em setembro do ano passado, Eirunepé já havia registrado denúncia semelhante envolvendo a oferta de um macaco-barrigudo (Lagothrix lagothricha).




