A Polícia Civil concluiu as investigações sobre a morte da adolescente Marta Isabelle, de 16 anos, e anunciou, em coletiva na última terça-feira (3), o indiciamento do pai, Callebe José da Silva, e da madrasta, Ivanice Farias de Souza, pelos crimes de feminicídio, tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro, além de suspeita de abuso sexual. A avó paterna da vítima, Benedita Maria da Silva, também foi presa e responderá por maus-tratos. Os crimes ocorreram na residência da família, localizada na rua Afonso Brasil, setor Chacareiro, no bairro Jardim Santana, em Porto Velho.
De acordo com a delegada Leisaloma Carvalho, Marta sofreu o ápice da violência dentro da própria casa, em um cenário de agressões que foram se intensificando ao longo do tempo. As investigações revelaram que a adolescente era mantida amarrada com fios elétricos, imobilizada em uma cama, privada de alimentação adequada, água e condições mínimas de higiene.
Quando foi encontrada pela polícia, Marta estava deitada, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo pericial apontou desnutrição severa, ossos expostos, ferimentos com infestação de larvas e marcas de imobilização prolongada.
Segundo a polícia, os castigos começaram de forma mais branda, mas se intensificaram nos últimos 60 dias. A adolescente chegou a ter o cabelo cortado pelo pai como punição e era alimentada com restos de comida. Mesmo com ferimentos graves, nunca recebeu atendimento médico.
O pai de Marta a retirou da escola há quase três anos sob a falsa justificativa de que a transferiria para a Paraíba, isolando-a completamente do convívio social. No entanto, foi descoberto que o motivo seria ciúmes excessivos da menina. Durante a coletiva, a Polícia Civil informou que há indícios de abuso sexual praticado pelo pai contra a vítima. A delegada lamentou que uma adolescente que deveria estar sendo protegida dentro de sua casa sofresse crimes tão bárbaros, com um sofrimento lento e gradual durante o final da sua vida.
De acordo com a polícia, a avó tinha conhecimento das agressões e nada fez para impedi-las. A delegada revelou ainda que o relacionamento entre Callebe e a mãe de Marta já era marcado por agressões, o que levou à separação do casal. A adolescente viveu até os 10 anos na Paraíba com a família materna e, ao se mudar para Porto Velho, passou a sofrer violência psicológica e física.
Uma outra filha de Callebe chegou a registrar ocorrência contra ele, e havia uma audiência marcada para março deste ano, período anterior ao agravamento dos abusos. A Polícia Civil segue analisando elementos do inquérito para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Marta Isabelle, e os suspeitos permanecem presos à disposição da Justiça.




