O estudante Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, resgatado com vida após ficar cinco dias perdido na região do Pico Paraná, revelou que ainda não conseguiu conversar com sua companheira de trilha, a amazonense Thayane Smith. A jovem foi duramente criticada na internet por ter deixado o rapaz para trás.
Em entrevistas após o salvamento, Roberto descreveu a experiência como extrema e afirmou que, em vários momentos, acreditou que não sobreviveria. Ele classificou sua volta em segurança como um “milagre”, apesar de ter noções básicas por ser bombeiro civil e socorrista.
O jovem detalhou que o desaparecimento aconteceu ao encontrar uma bifurcação sem sinalização adequada na trilha. Nessa hora, ele estava sozinho, já que a amazonense decidiu seguir com dois corredores. Ao optar por um dos caminhos, Roberto escorregou numa ladeira e caiu numa área de cachoeira, perdendo o acesso ao percurso principal e se perdendo. Sem condições de retornar, decidiu seguir o curso do rio na esperança de encontrar ajuda.
Durante o percurso de aproximadamente 20 quilômetros, Roberto enfrentou mata fechada, penhascos e ribanceiras. Relatou ter sido arrastado pela correnteza, batido contra pedras e sofrido com fome, frio, chuva e insetos. Passou por episódios de afogamento e teve alucinações, mas manteve-se em movimento, motivado pelo pensamento na família e pela fé.
Após percorrer a distância, conseguiu chegar a uma fazenda no município de Antonina (PR), onde recebeu auxílio numa e pôde acionar seus familiares e o Corpo de Bombeiros. Ele chegou ao local com dificuldade em uma das pernas. Durante todo esse tempo, apenas tomou água.
Roberto segue internado no Hospital Municipal de Antonina, sem previsão de alta. Está realizando exames laboratoriais e de imagem e permanece sob observação médica.


