Enem 2021 tem o menor número de inscritos desde 2005

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Em meio à crise ocasionada pela debandada de servidores e suspeitas de vazamento de provas do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), estudantes de todo o país inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fazem o primeiro teste, neste domingo, com mais incertezas do que o normal. Nesta edição, cerca de 3,1 milhões de estudantes se inscreveram, o menor número de candidatos desde 2005.

O ambiente ficou tumultuado depois que, nas últimas semanas, 37 profissionais do Instituto pediram demissão. Servidores ouvidos pelo Correio sob condição de anonimato, declararam que, desde 2019, com o início do governo Bolsonaro, viviam em uma rotina de assédio e perseguições políticas. A instituição chegou a criar uma comissão para verificar se as questões do Enem têm “pertinência com a realidade social”. Um dos servidores caracterizou a iniciativa como “esdrúxula”, disse que o objetivo era monitorar e censurar questões do exame, e que foi perseguido por isso.

As suspeitas de interferência política cresceram depois que o presidente Jair Bolsonaro declarou que o Enem, agora, estava “com a cara do governo”. E ganharam ainda mais força depois que Hélida Lança, professora de uma escola pública de São Paulo, denunciou, nas redes sociais, que duas professoras da unidade que costuma aplicar o certame todos os anos seriam substituídos por dois policiais federais. Houve relatos também de redução do número de controladores e fiscais por sala.
Para profissionais da educação, é uma situação inédita. “Eu considero lamentável que isso esteja acontecendo, que coloquem em dúvida a seriedade de profissionais do Inep. Em seus 80 e poucos anos, nunca aconteceu desse grande número de profissionais que coordenam áreas importantes do instituto tenham colocado seu cargo a disposição”, comenta a educadora Malvina Tuttman, presidente do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro (CEE-RJ), que presidiu o instituto em 2011.

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