A deputada federal Antônia Lúcia protagonizou um novo capítulo público da sua separação ao acusar o ex-marido, o também deputado federal Silas Câmara, de envolvimento em um suposto esquema de desvio de recursos públicos. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (27), ela vinculou o parlamentar a fraudes investigadas por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura desvios de verbas destinadas a pescadores.
Sem apresentar documentos publicamente, a deputada afirmou que Silas Câmara participou de um mecanismo que utilizou associações, colônias de pescadores, organizações não governamentais e fundações para movimentar dinheiro de forma irregular. Ela alega que os valores foram desviados de programas federais para o setor pesqueiro.
Alteração em regras e menção a “jabuti” legislativo
Antônia Lúcia sustenta que o desvio foi viabilizado por um “jabuti” – jargão político para emendas ou artigos inseridos em projetos de lei sem relação com o tema principal – colocado por Silas Câmara nos protocolos da Câmara Federal. Ela especificou que, em 12 de junho de 2025, o deputado teria apresentado um documento que alterou regras de gestão de processos ligados a pescadores.
Segundo ela, a mudança retirou atribuições de prefeituras e concentrou poder em entidades privadas e associativas, sob a justificativa de agilidade. A deputada afirma que essa modificação criou brechas que facilitaram desvios de milhões de reais, atualmente sob escrutínio da CPMI.
A acusação encontra eco em declarações anteriores do relator da CPMI dos Descontos Indevidos do INSS, deputado Alfredo Gaspar. Em novembro de 2024, ele afirmou que a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) efetuou pagamentos a familiares de Silas Câmara através da empresa Outros Network.
Críticas pessoais
Além das acusações de cunho administrativo, Antônia Lúcia misturou o debate com críticas à vida privada do ex-marido. Ela fez alegações sobre traição e citou sua presença com outra mulher em um aniversário no município de Rio Preto da Eva, associando o episódio a questões de conduta moral e uso de recursos.
Não há confirmação judicial ou pronunciamento oficial que ateste a veracidade das denúncias.
O espaço para uma manifestação de Silas Câmara ou de sua assessoria sobre os pontos levantados segue aberto.




