Médicos que assessoram o Ministério da Saúde ameaçam deixar cargos

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Vinte capitais e o Distrito Federal decidiram manter a vacinação contra Covid dos adolescentes sem comorbidades. Especialistas que assessoram o Ministério da Saúde ameaçam renúncia coletiva se o governo federal continuar contrário à vacinação desse grupo.

O governo do Distrito Federal chegou a anunciar que não iria ampliar a vacinação de adolescentes, mas depois resolveu seguir e baixou a idade para 13 anos. 

“Eu estou muito feliz porque, assim, é um momento que todo mundo espera, vacinar”, diz Gabriela Cardoso Ferreira. 

Em São Paulo, quase 90% dos adolescentes já foram vacinados. 

Porto Velho retomou a vacinação de adolescentes sem comorbidades contra a Covid. Salvador e Manaus seguiram na mesma direção: ignoraram a orientação do Ministério da Saúde e voltaram a imunizar o grupo neste sábado. 

Ao todo, 20 capitais e o Distrito Federal decidiram continuar vacinando adolescentes. As faixas etárias dependem do estoque de doses disponíveis. 

Goiânia, João Pessoa e Macapá seguem a indicação do Ministério da Saúde: interromper a vacinação. Já Teresina, Curitiba e Cuiabá ainda não começaram a vacinar esse público. 

Médicos que assessoram o Ministério da Saúde se reuniram na sexta-feira (17) e anunciaram que vão deixar os cargos na Câmara Técnica caso o ministro Marcelo Queiroga não volte atrás na orientação de suspender a vacinação de adolescentes. Os cientistas e pesquisadores afirmam que não foram consultados e que o Ministério da Saúde usou dados equivocados.

Em nota técnica, o ministério disse que a Organização Mundial da Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, o que não é verdade. A orientação da OMS é que a vacina seja aplicada em adolescentes entre 12 e 15 anos quando a cobertura vacinal estiver alta nos grupos prioritários. 

O infectologista Francisco Oliveira Junior, do Hospital Emílio Ribas, diz que a vacinação de adolescentes já se comprovou eficiente e necessária no Brasil e no mundo. 

“Quando se faz a avaliação do risco versus o benefício da vacina, esse é favorável amplamente a continuidade da vacinação, não apenas considerando o efeito individual, a proteção individual conferida por essa vacina para o adolescente, mas principalmente o efeito coletivo de aumentar a proteção da comunidade expandindo o percentual de pessoas vacinadas e contribuindo para o atingimento da imunidade coletiva”, explica. 

O infectologista e presidente do Departamento de Imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Aurélio Sáfadi, disse que o Ministério da Saúde precisa voltar atrás. 

“Trata-se de uma estratégia, à luz das evidências atuais, perfeitamente sensata e razoável, expandi-la, especialmente num momento onde a gente antecipa circulação de novas variantes que se mostraram particularmente transmissíveis inclusive nestes grupos etários”, afirma.

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