Na reconstituição do crime que deixou três mortos e uma ferida em Manaus, o suspeito Ezenilson Silva de Sousa afirmou que o pastor Francisco das Chagas Morais Santos, primeira vítima da sequência de ataques, teria se recusado a entregar uma quantia em dinheiro e reagido antes de ser assassinado. O procedimento, conduzido pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), foi realizado na residência onde os crimes ocorreram, no bairro São Jorge, Zona Centro-Sul da capital.
Ezenilson foi levado por equipes da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Durante a simulação, ele mostrou aos investigadores como acessou o imóvel, indicou os pontos onde cada vítima foi golpeada e detalhou a ordem dos ataques.
Conforme a narrativa do preso, ele foi até a casa do ex-sogro para cobrar um valor que o religioso teria prometido repassar. Disse que pediu para Francisco não gritar e afirmou que não pretendia machucá-lo. O pastor, no entanto, teria se negado a entregar o dinheiro e avançado contra ele.
“[Perguntei] ‘cadê o dinheiro que você disse que ia me dar?’ Aí eu falei pra ele não gritar que eu não ia fazer nada. Aí ele falou ‘dinheiro porra nenhuma, tu tem mais é que…’”
A investigação aponta que Francisco, de 66 anos, foi o primeiro a ser atacado. Em seguida, Guilherme Pereira Lima Filho, de 65, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), chegou ao local após ouvir o barulho. Ele teria entrado em luta corporal com o suspeito e também foi morto.
Durante a reconstituição, Ezenilson confirmou aos policiais que o pastor já estava desacordado quando Guilherme apareceu. Isabella Coelho Morais, de 29, filha de Francisco, também foi atacada. O suspeito afirmou que se virou e já desferiu os golpes contra a jovem. Questionado sobre a quantidade, respondeu: “Dei uns três na hora”.
A única sobrevivente, Dilma Cilene Lima Sampaio, ainda estaria rastejando pelo chão quando o socorro chegou. Ela sobreviveu e foi hospitalizada.
A principal linha de investigação aponta que Ezenilson foi até o endereço em busca de R$ 19 mil para quitar uma dívida com agiotas. Segundo o delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS, o suspeito alegou legítima defesa, mas a versão não convenceu os investigadores.
A polícia afirma que um martelo foi usado nos ataques e que, após o crime, o objeto foi descartado em um igarapé próximo ao local. A reconstituição também serviu para confrontar o depoimento do suspeito com as evidências coletadas na residência.






