O que começou como a expectativa pela chegada das gêmeas Lívia e Laura se transformou em um doloroso luto para a família de Amanda Rafaela da Silva Ireno. A auxiliar de 37 anos morreu no dia 28 de maio, após 10 dias internada no Hospital e Maternidade Hapvida Rio Amazonas, em Manaus, onde deu entrada com um sangramento. A unidade de saúde informou que se tratava de um “aborto inevitável”, mas, segundo o marido, Alessandro Oliveira, a assistência prestada foi insuficiente, e a morte da esposa e das filhas poderia ter sido evitada.
De acordo com o relato de Alessandro, na noite de 18 de maio, Amanda começou a apresentar o sangramento em casa e foi levada às pressas para a maternidade. Lá, após exame, a equipe médica teria comunicado que não havia mais nada a fazer para reverter a perda da gestação. Ela foi então encaminhada a uma sala de isolamento e permaneceu internada em observação.
“Não fazem nada, só dão dipirona para a minha esposa. A gente não sabe nada”, denuncia Alessandro, mostrando a esposa ainda no início da internação.
Inconformado com a conduta, Alessandro buscou informações com outros profissionais de saúde com o passar dos dias, estranhando a demora. Ele afirma ter recebido a orientação de que a esposa deveria ter sido submetida a procedimentos para reduzir o risco de infecção, o que, em sua avaliação, não foi feito pela unidade. Convencido da negligência, ele chegou a recorrer ao Poder Judiciário para que o hospital adotasse medidas urgentes.
O quadro de Amanda, no entanto, se agravou drasticamente no 10º dia de internação, quando ela apresentou queda brusca de pressão, fraqueza intensa e dificuldade respiratória. Foi somente então que os médicos identificaram uma infecção grave. Levada às pressas para uma cesariana de emergência para a retirada das gêmeas, Amanda sofreu uma parada cardíaca durante o procedimento. Foi reanimada, mas encaminhada à UTI em estado crítico.
Alessandro sustenta que, em nenhum momento, a equipe médica alertou a família sobre o risco iminente de morte que a esposa corria. No dia seguinte, enquanto tentava obter autorização para que uma médica particular avaliasse o caso, recebeu a notícia de que Amanda havia sofrido uma nova parada cardíaca e não resistiu. Os bebês também não sobreviveram.
Agora, munido de documentos obtidos ao longo da internação, o marido busca respostas e responsabilização. Ele alega falhas na comunicação e no protocolo de atendimento e sustenta que a sequência de eventos que levou à morte de Amanda e das filhas poderia ter sido interrompida com uma conduta médica mais ágil.
A reportagem aguarda um posicionamento sobre o atendimento da Maternidade Hapvida. Assim que obtivermos, a matéria será atualizada.





