Uma sombra pesada e perturbadora se abateu sobre o esporte amazonense. Em um intervalo inferior a dois anos, seis treinadores de jiu-jítsu, sendo cinco na capital e um no interior foram parar atrás das grades, suspeitos de uma série de crimes sexuais contra crianças, adolescentes e jovens atletas. A sequência de escândalos, que ganhou holofotes em todo o país, revela um quadro de violência e abuso de confiança que choca pela crueldade e pela frequência.
O capítulo mais recente dessa tragédia foi escrito na última segunda-feira (20). Diego Marinho, de 33 anos, foi capturado dentro da própria academia onde lecionava, no bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus. A investigação da Polícia Civil aponta que o crime ocorreu no final de 2025. O suspeito usou a desculpa de que contrataria os serviços de tatuagem do pai da vítima para entrar na residência. Ao se deparar com a adolescente sozinha, consumou o abuso.
Mas os casos começaram a ser revelados em novembro de 2024 com a prisão do professor Alcenor Alves Soeiro, de 56 anos, em Balneário Camboriú (SC), sendo o estopim. Três alunos corajosos romperam o silêncio e o denunciaram, fazendo com que outras vítimas procurassem as autoridades. Alcenor foi sentenciado a 178 anos e 5 meses de reclusão, além de 3 anos de detenção e multa.
Em junho de 2025, o interior do estado testemunhou outro golpe. Em Humaitá, um treinador foi preso sob a suspeita monstruosa de estuprar ao menos cinco alunos, todos meninos com idades entre 7 e 11 anos. A perversão corria solta dentro da academia, que funcionava de forma ainda mais perigosa na própria casa do investigado.
A lista sombria ganhou um nome de peso em abril de 2026. Melqui Galvão, treinador renomado e também policial civil, foi detido em São Paulo. As denúncias, que envolvem ao menos três vítimas em Manaus, entre elas uma adolescente de 17 anos, começaram após uma ex-aluna relatar atos libidinosos sem consentimento durante uma competição internacional.
Em 1º de junho de 2026, um professor de 59 anos foi algemado em Manaus. A acusação: produzir, armazenar e compartilhar material de exploração sexual de uma menina de 14 anos. Menos de um mês depois, em 6 de julho, as autoridades finalmente capturaram Carlos Vieira Holanda, conhecido como “Esquisito”. Foragido na época há mais de um mês, ele era procurado por estupro de vulnerável, importunação sexual e um esquema sórdido de exploração.
Todos os casos foram registrados na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) e Delegacia Especializada de Polícia de Humaitá.
Os abusadores prometiam quimonos novos, inscrições em competições, usavam da manipulação psicológica e vulnerabilidade para cometer os crimes, usando e abusando da confiança depositada em cada um deles.




