Uma adolescente de 14 anos conseguiu romper o silêncio sobre os abusos sexuais que sofria desde os 5 anos após deixar o Amazonas e encontrar acolhimento em São Paulo. O suspeito, seu padrasto, se apresentava como pastor na comunidade da BR-319, em Manaus, e utilizava essa fachada religiosa para intimidar a vítima e manter os crimes ocultos por quase uma década.
A prisão do homem, ocorrida no conjunto Boas Novas, Zona Norte de Manaus, foi resultado de uma ação conjunta entre as polícias civis do Amazonas, São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o delegado David Jordão, responsável pelo caso, além dos abusos, o suspeito transmitiu uma infecção sexualmente transmissível à menina, agravando ainda mais o histórico de violência.
O delegado classificou o suspeito como um “falso profeta”, que explorava a autoridade eclesiástica informal para suprimir qualquer tentativa de denúncia. “Podemos dizer que era um falso profeta, que utilizava essa autoridade eclesiástica para suprimir as informações da vítima”, afirmou. Embora aceitasse ser chamado de pastor, o homem não mantinha vínculo oficial com qualquer instituição religiosa.
A virada na investigação veio quando a jovem, já fora do estado e amparada por uma tia, conseguiu relatar os episódios. “A vítima relatou de forma muito emocionada que sofria abuso por parte do padrasto desde os 5 anos de idade. E só teve condição de relatar aquilo que vivenciou quando saiu do estado”, explicou o delegado Henrique Brasil.
Outro elemento que pesa contra o acusado é uma denúncia anterior, registrada em 2024, na qual ele foi apontado por convidar adolescentes a assistir vídeos pornográficos.
Embora o suspeito tenha negado os crimes durante o interrogatório, a Polícia Civil considera as provas já reunidas contundentes.
O homem permanece preso à disposição da Justiça, e a Polícia Civil acredita que outras vítimas na comunidade da BR-319 possam se apresentar, ampliando o escopo das denúncias.




