A semana em Coari, município distante 363 quilômetros de Manaus, foi marcada pela circulação de um vídeo que expõe condutas atribuídas a policiais das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). Nas imagens, dois jovens moradores locais detalham uma série de violências que teriam sofrido durante uma intervenção dos agentes na cidade.
Um dos trechos mais impactantes traz o relato de que os militares teriam utilizado um isqueiro para causar queimaduras nos dois. Também há menção a golpes de cassetete e à remoção forçada do cabelo das vítimas, além de supostos estupros.
“Eles meteram o cassetete na minha bunda e era dessa grossura. Eu pedia para eles, pelo amor de Deus, e eles diziam que eu ia morrer naquela hora”, afirma um dos denunciantes no material que circula na internet.
Em outro momento, o jovem que filma a própria denúncia alega que os policiais tentaram praticar estupro durante a ação. “Vim fazer denúncia da Rocam, que está fazendo maior covardia com as pessoas, tentando fazer estupro com as pessoas”, declarou.
Conforme os depoimentos, os abusos não se limitaram às agressões físicas. Os denunciantes afirmam que os agentes ordenaram que um deles urinasse no rosto do outro, configurando situação de extrema humilhação.
O advogado Raione Cabral compareceu à delegacia de Coari para formalizar a ocorrência. A medida visa garantir que os denunciantes sejam submetidos a exame de corpo de delito.
Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Polícia Militar do Amazonas não respondeu aos contatos até o momento.




